FIES Financiamento Estudantil

Fies: vagas com juro zero têm adesão de apenas 54%

Mesmo com mudança nas regras do Financiamento Estudantil (Fies), apenas 54% das 82 mil vagas com juros zero foram preenchidas no 1º semestre de 2018.

Os esforços do governo para replanejar o programa de financiamento estudantil em 2018 ainda não surtiram efeito. Os números mostram que das 82 mil vagas com juros zero, que foram abertas, apenas 54% foram preenchidas. Já para o segundo semestre o cenário é ainda pior: dos 50 mil financiamentos oferecidos, menos da metade foi contratado.

Os economistas apontam que as causas para essa situação estão relacionadas à crise econômica, que o Brasil vive. O jovem não tem boas perspectivas para o futuro e, com medo de se endividar, acaba evitando o Fies e, consecutivamente, deixa de ingressar no ensino superior. O quadro se agrava também devido à dificuldade para jovens encontrarem um emprego, o que faz com que sejam poucos os que conseguem pagar a parcela não financiada pelo Fies, que foi, em média de 24% no primeiro semestre de 2018.

Outro número que chama a atenção é que o Pravaler, um gestor de crédito universitário e repassador do Fies, aprovou 14 mil alunos no primeiro semestre. Estes fizeram todo o processo, passaram por todas as instâncias, como a comprovação do nome limpo, fiador, comprovação da renda conjunta equivalente a até 2,5 vezes o valor da mensalidade. E mesmo aprovados, apenas 256, dos 14 mil, assinaram o contrato de adesão ao Fies público.

Em relação ao Fies privado, que atende atualmente somente Norte e Nordeste, estima-se que mais de 40% dos alunos aprovados rejeitaram o programa, por medo do que pode acontecer no futuro.

O mais curioso é lembrar que tanto Ministério da Educação, quanto instituições de ensino, argumentavam, no início do ano, que o número baixo de financiamentos era gerado pela baixa parcela que o Fies se oferecia a pagar. No entanto, isto também foi modificado e, agora, o aluno não paga mais do que 50% da mensalidade.

A conclusão a que isso leva é de que o governo está perdido em relação ao Fies. Mesmo com toda a reformulação do programa, os números continuam caindo e a saída para o problema parece distante. Vale lembrar que só em 2014, foram cedidos mais de 730 mil novos financiamentos. Mas, isso trouxe inúmeros problemas para o governo e muitos argumentavam de que o programa era insustentável.

O novo Fies

O novo Fies surgiu com o intuito de ampliar ainda mais o acesso ao ensino superior e tornar o programa mais sustentável para o governo. Ele foi dividido em três modalidades, dando a opção de juros zero a quem precisa e uma escala de financiamento, de acordo com a renda familiar do estudante.

A primeira modalidade ofertará vagas com juros zero para os estudantes que tiverem uma renda per capita mensal familiar de até 3 salários mínimos. Nessa modalidade, o aluno começará a pagar as prestações respeitando o seu limite de renda, fazendo com que os encargos a serem pagos pelos estudantes diminuam consideravelmente. As outras 2 modalidades de financiamento são para estudantes com renda familiar de até 5 salários mínimos. Elas funcionarão com recursos dos Fundos Constitucionais e de Desenvolvimento.

Como funciona o novo Fies?

O novo FIES entrou em vigor no dia 2 de janeiro de 2018. Para poder concorrer a uma vaga, o candidato deverá cumprir, por antecipação, os seguintes requisitos:
• ter feito uma das edições do ENEM a partir de 2010
• ter média igual ou superior a 450 pontos
• não ter zerado a redação

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